• Conheça a história e os significados da cor verde
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    Conheça a história e os significados da cor verde

    A cor verde, hoje, é majoritariamente associada à natureza e ao meio ambiente. Isso se dá devido à Clorofila, um pigmento fotossensível que atribui às plantas o seu tom fresco e característico de verde. Porém a história do pigmento é muito rica e completa de desafios. Na verdade, o verde foi extremamente difícil de ser desenvolvido e manufaturado, uma vez que seus pigmentos foram alguns dos mais venenosos da história. 

     

    Por séculos, o ser humano tentou criar um pigmento verdadeiramente verde. No Egito antigo, a cor simbolizava regeneração e renascimento e por isso, tentavam utilizar a malaquita mineral de cobre para pintar as paredes das tumbas, mas o processo era caro e o material oxidava rapidamente. Os Romanos, então, para solucionar estes problemas, começaram a mergulhar placas de cobre no vinho para criar o verdete, um pigmento verde que surge com o desgaste do metal. Este é o mesmo pigmento que vemos em moedas antigas ou estátuas feitas em metal. Os Romanos utilizavam este pigmento, que posteriormente foi utilizado por monges durante a Idade Média para colorir os manuscritos, para criação de mosaicos, afrescos e vitrais.

     

    Ainda na era medieval, as cores das vestimentas tinham a função de indicar a profissão e a classe social de cada cidadão. O vermelho era usado pela realeza, enquanto o marrom e o cinza eram as cores das vestes da plebe. Mercadores, banqueiros e gentis tinham suas vestes em verde. Por isso, diversos pintores renascentistas, ao pintar quadros, retratavam as pessoas utilizando roupas verdes para representar que aquela era uma família rica. 

     

    "O Casal Arnolfini" pintado por Jan van Eyck em 1434. Crédito: Wikimedia Commons

     

    Já em 1775, Carl Wilhelm Scheele, um químico sueco, inventou um novo pigmento verde muito mais intenso que os anteriores, porém extremamente tóxico uma vez que era derivado do arsenito. Batizado de Verde Scheele, a cor se tornou muito popular no final do século XIX, substituindo completamente o verde de origem mineral e vegetal dos séculos anteriores. O pigmento foi utilizado em tecidos, papel, decoração e até em brinquedos infantis. Alguns jornais da época relatam casos de crianças contraindo doenças em quartos com paredes pintadas de verde e de mulheres em vestidos no mesmo tom adoecendo por inalação de vapores tóxicos. Existem, inclusive, historiadores que acreditam que o pigmento foi responsável pela morte de Napoleão Bonaparte, em 1821, pois o quarto do imperador tinha as paredes pintadas de Verde Scheele. 

     

    Ao final do século XIX, o Verde Scheele foi substituído por um pigmento similar e ainda altamente tóxico, chamado Verde Paris. Este era o verde utilizado nas belas paisagens  pintadas pelos Impressionistas Franceses como Claude Monet, Paul Cézanne e Pierre-Auguste Renoir. Alguns acreditam que o pigmento pode ter sido responsável pela diabetes de Cézanne e pela cegueira de Monet. Posteriormente, em 1960, o Verde Paris foi banido. 

     

    "A Ponte Japonesa" pintada por Claude Monet, 1914-1917. Crédito: Wikimedia Commons

     

    Hoje, os significados atribuídos à cor verde são inúmeros. Como mencionado anteriormente, a associação mais comum é com a natureza e o meio ambiente, sendo assim, empresas e políticos que se relacionam com a causa ambiental costumam dizer que fazem parte do “movimento verde”, assim como produtos que são chamados de verde por serem ecofriendly. Também é associado à segurança e permissão, como, por exemplo, no semáforo em que a luz para seguir em frente é da cor verde. Outra associação muito comum é à saúde e bem estar, por isso hospitais utilizam o tom na sua decoração e uniformes de seus funcionários, buscando transmitir calma para os pacientes.