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    A história do uniforme das Aeromoças

    Desde quando a aviação comercial iniciou ao final dos anos 20, as aeromoças foram peça fundamental. Elas se tornaram símbolo de glamour e elegância, através dos seus uniformes e serviço. Apesar de a função da tripulação de cabine não ter mudado tanto ao longo do último século, as vestimentas foram se adaptando aos tempos, representando as mudanças no guarda roupa, especialmente feminino, de cada década. Neste post faremos um pequeno panorama das características do uniforme aéreo de cada década.

     

     

    American Airlines flight attendant portrait, 1950. Photograph by Ivan Dmitri/Courtesy of the Michael Ochs Archives. Fonte: L'Officiel USA.

     

    De 1920 a 1940 

     

    O papel da tripulação, acima de qualquer coisa, sempre foi garantir a segurança dos passageiros. Dessa forma, o mais importante é que as vestimentas das aeromoças permitam que elas completem diversas tarefas sem comprometer a sua segurança ou a das pessoas ao seu redor. 

     

     

    Archive Photos/Getty Images, década de 1940. Fonte: Southern Living.

     

    O papel feminino a bordo de aviões iniciou no final da década de 1920 e início da década de 1930, quando voos comerciais iniciaram a contratação de enfermeiras na tripulação para transmitir confiança aos passageiros em caso de emergência. Além disso, as aeromoças se tornaram uma estratégia de marketing para a aviação, partindo de uma premissa dentro dos padrões sexistas da época de que “se uma mulher pode voar, você também pode”.

     

     

    Atendente de voo da Delta Airlines nos anos 40 com uniforme inspirado nos jalecos das enfermeiras. Imagem retirada do Facebook da Delta Airlines.

     

    Nessa época, o uniforme era bem diferente do que é hoje. Como as aeromoças eram também enfermeiras, o jaleco foi implementado. Além disso, com o início da Segunda Guerra Mundial, as vestimentas eram pesadas e duráveis, inspiradas em uniformes militares. A equipe vestia grandes chapéus que cobriam as suas orelhas, capas e saias com altura abaixo dos joelhos. A ideia era passar um senso de profissionalismo e dever. Porém, é possível entender porque a capa talvez não seja a peça de roupa mais prática para a profissão de aeromoça.

     

     

    Aeromoças United Airlines, 1939. Credito - United Airlines Archive. Fonte Here Magazine

     

    de 1950 a 1970

     

     

    Aeromoças, 1958. Copyright - © Time Inc.

     

    Com o final da guerra, a competição entre as empresas aéreas se tornou mais intensa e se iniciou a chamada “Era de Ouro da Aviação”, quando o glamour foi masterizado e passou-se a servir pratos gourmet nos voos, além de atrações como pianistas fazendo concertos ao vivo a bordo. Assim, o uniforme das aeromoças foi alterado para um look mais refinado, com elementos de alfaiataria como o blazer e a saia lápis, acompanhados de sapatos de salto baixo.

     

    Atendente de bordo vestindo uniforme desenhado por Christian Dior. Foto: Air France, 1962.

     

    Porém, com o avanço da aviação, as companhias aéreas passaram a sofrer cada vez mais restrições estatais. Dessa maneira, o grande diferencial entre as empresas se tornou as aeromoças, uma vez que os passageiros eram, majoritariamente, homens. Neste momento, as atendentes de bordo passaram a ter um status próximo ao de celebridades, com uniformes desenhados por estilistas como Pucci, Balenciaga e Dior. Rapidamente, os processos seletivos se tornaram mais competitivos, com apenas 3% das candidatas sendo contratadas de fato.

     

     

    Uniformes desenhados pelo designer italiano Emilio Pucci para a Braniff Airlines. Foto: Bettmann/Getty Images

     

    Por outro lado, o padrão estético exigido das aeromoças era muito rigoroso. Nos anos 1953, por exemplo, a American Airlines dispensava qualquer funcionária acima de 30 anos. As candidatas só eram aceitas se possuíssem uma determinada altura e peso, sendo inaceitável o uso de óculos de grau. O uniforme refletiu na sexualização das mulheres a bordo, trazendo vestimentas que acentuavam mais a forma feminina, como as hot pants e o cinto marcando a cintura, além de elementos emprestados dos astronautas nos anos 60 e 70, acompanhando o avanço da corrida espacial, durante a Guerra Fria.

     

     

    Aeromoças da Southwest Airlines em 1971. Fonte: Southern Living.

    De 1980 até hoje

     

     

    Aeromoças com uniformes desenhados por Louis Féraud, anos 80. Crédito: Facebook Air France. Fonte: Southern Living.

     

    Nos anos 80, a aviação seguia numa crescente constante. Com a popularização das viagens familiares, a ideia de glamour foi se tornando cada vez menos necessária, quando comparada com a necessidade de levar uma mala extra. Dessa maneira, o uniforme foi retornando à uma aparência mais similar a do início da aviação, com um aspecto mais prático, especialmente com o uso de cores como marinho, por exemplo, que além de possuir um toque clássico, é uma ótima cor para esconder eventuais manchas. Além disso, com a entrada cada vez maior de mulheres no mercado de trabalho e em cargos de liderança, o terninho feminino entra em voga, na busca por um visual mais profissional. Assim, a camisa branca, o blazer e a calça ou saia de alfaiataria voltam a ser os elementos principais no uniforme de bordo, geralmente acompanhados de um lenço ou boina. 

     

     

    Tripulação Delta Airlines, 1990. Crédito: Facebook Delta. Fonte: Southern Living.



    Hoje, grande parte das companhias aéreas também escolhe por adicionar um item relacionado à cultura do país de origem, como por exemplo, na Emirates, onde as aeromoças devem utilizar uma boina vermelha com um véu ao redor da cabeça ou a Hawaiian Airlines onde a equipe veste camisas floreadas e uma flor de hibisco atrás da orelha. Isso não quer dizer que as regras para vestimenta sejam menos rígidas. Na própria Emirates eles possuem uma lista de batons vermelhos aprovados para combinar com a boina e sete passos obrigatórios de maquiagem. 

     

     

    Aeromoças da Emirates, 2021. Crédito: Facebook Emirates Airlines. 

     

    Recentemente, uma empresa aérea ucraniana chamada SkyUp Airlines aposentou o uso de saia e calçados de salto do uniforme de suas aeromoças para calças e tênis. Marianna Grigorash, porta-voz da empresa, afirmou: “Os tempos mudaram, as mulheres mudaram. Então, ao contrário dos clássicos conservadores, saltos, batom vermelho e um coque, surgiu uma imagem nova, mais moderna e confortável de ‘campeã’.”. Amamos a ideia e já queremos fazer a versão brasileira! 

     

     

    Novo uniforme da SkyUp Airlines, 2021. Crédito: Facebook SkyUp Airlines.